No último dia 31 de março, a outrora queridinha dos olhos dos financiamentos coletivos, CMON, divulgou na bolsa de Hong Kong seu balanço financeiro de 2025, mostrando um prejuízo final de US$19,9mi, mais de seis vezes acima do balanço anterior, que mostrava uma perda da ordem de US$3mi e que fora divulgado com atraso no início de 2025.
A notícia não deveria surpreender ninguém, já que um comunicado da empresa já alertara para perdas de US$8mi somente no primeiro semestre de 2025 (veja aqui), e vem mesmo após a reestruturação com a venda de diversos IPs de sucesso, como Zombicide (veja aqui) e da Japon Brand (veja aqui) para a Asmodee, fechamento de escritórios e desligamento da maioria dos estúdios de desenvolvimento a nível mundial (veja aqui).
De acordo com os valores, uma grande parte do prejuízo se deve a uma queda brutal na arrecadação, que passou de US$37mi em 2024 para apenas US$9.9mi em 2025, gerando um lucro bruto de apenas US$0,7mi (contra quase US$18mi em 2024), o que foi comido rapidamente por perdas operacionais da ordem de US$21mi, mesmo considerando quedas substanciais nos custos empregatícios, pagamento de royalties e custos de desenvolvimento.
Segundo a empresa, o desempenho negativo foi impulsionado por, entre outros fatores, a instabilidade do mercado americano, o qual mostrou uma queda acentuada na fonte das receitas, tornando, agora, a Ásia como seu mercado principal, além de perdas contábeis pesadas em ativos fixos.
De acordo com o comunicado, existe uma grande incerteza sobre a capacidade de continuidade da empresa, porém os diretores decidiram pela continuidade temporária do funcionamento, através de uma ajuda financeira de alguns dos diretores da empresa, de modo a manter um fluxo de capital suficiente para suas operações do dia a dia, junto da emissão de novas ações da empresa realizadas em fevereiro (veja aqui), bem como a venda de seu escritório principal em Singapura, que trouxe em torno de US$2.4mi para a empresa em janeiro deste ano, após o fechamento do balanço fiscal.
Ainda de acordo com o comunicado, a empresa estará deliberadamente pivotando seu foco para o mercado asiático, tornando-o o mercado primário e seguindo a tendência de receita apresentada.
Além disto, a empresa ainda se manterá, inicialmente, longe de financiamentos coletivos, que outrora foram sua mais forte fonte de receita com campanhas milionárias, objetivando, primeiro, cumprir o término de jogos que campanhas já fechadas e atualmente atrasadas. Porém, as atividades de financiamento coletivo não estão completamente descartadas e poderão ser retomadas a partir do segundo semestre de 2026.
Por fim, a empresa ainda cita que, após o pagamento das dívidas bancárias, ele focará em se tornar livre de débitos, buscando uma melhor resiliência financeira.
Se isto será ou não suficiente para manter a empresa viva, somente o tempo dirá.
E se você tem interesse em ler o comunicado na íntegra, pode encontrá-lo aqui.
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