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A Controvérsia da OGL – Parte 2

A uma semana atrás eu escrevi um longo post relativo a tudo o que vinha acontecendo desde o vazamento do que poderia vir a ser a nova OGL (Open Game License), chamada inicialmente de OGL 1.1 e, posteriormente, de 2.0, da Wizards of the Coast, subsidiária da Hasbro e dona do Dungeons & Dragons.

Se você chegou aqui e não sabe bem do que se trata, recomendo que leia meu artigo inicial, que você encontra aqui.

O negócio é que desde meu post original, a situação se desdobrou em diversas direções, então resolvi escrever um pouco mais a respeito.

A Desculpa da Wizards

Antes tarde do que nunca, a Wizards finalmente se pronunciou a respeito do tema, após mais de uma semana de silêncio e do cancelamento de alguns eventos online.

O produtor executivo da empresa, Kyle Brink, escreveu um post dentro do site D&D Beyond (que você pode ler na íntegra aqui) no qual ele assume que este foi o caminho errado e que eles iriam publicar novas versões do documento em formato de rascunho, utilizando o sistema de feedback público para adaptar o documento de forma a deixar os criadores de conteúdo mais satisfeitos com o resultado final.

A Nova Nova OGL

Poucos dias após a desculpa da Wizards, uma nova versão da OGL, agora chamada de 1.2, foi publicada, alterando diversos dos pontos controversos da 1.1.

Uma das grandes novidades será que as regras básicas que compõe as mecânicas fundamentais do D&D serão movidas para uma licença Creative Commons BY 4.0, o que diz que você pode usá-las sem uma aprovação prévia, da forma como quiser, bastando para isto, uma atribuição clara de onde ela veio e no que foi alterada.

Já os conteúdos adicionais às regras, como por exemplo as classes e magias, por outro lado, continuam com uma licença similar ao que fora proposto na 1.1, já que, segundo os executivos da Wizards, a empresa ainda quer de certa forma controlar onde e como este conteúdo será apresentado, evitando uma associação indireta com, por exemplo, um conteúdo criado com conexão a discursos de ódio.

Isto, porém, ainda significa que a OGL 1.0 deverá ser revogada, pois do contrário, qualquer um poderia ainda fazer qualquer conteúdo simplesmente utilizando ela ao invés de se adequar às novas regras.

Outra característica controversa que parece ter sido retirada da nova versão da OGL foi a necessidade de reportes financeiros e das distinções de licenças comerciais e não comerciais.

E as Demais Companhias?

No vácuo criado pela controvérsia, diversas outras empresas já se mostraram favoráveis a dispensar toda e qualquer forma de OGL da Wizards, independente de suas alterações para melhor ou para pior e, como falei, a Paizo, por exemplo, já anunciou a criação de uma OGL genérica, a Open RPG Creative License (ou ORC), válida para qualquer sistema, e que será administrada por um grupo sem fins lucrativos, criando uma forma de Creative Commons para sistemas de RPG, conforme falei em meu post original.

A novidade é que, desde aquele post, diversas outras empresas já anunciaram iniciativas similares e mais de 1.500 companhias, entre grandes e pequenas, publicamente ofereceram suporte à iniciativa da Paizo.

Entre as empresas proeminentes que já anunciaram uma adoção ao ORC, estão a Mongoose Publishing (Paranoia), Monte Cook Games (Numenera), Pinnacle Entertainment (Savage Worlds e Deadlands), Pelgrane Press (Trails of Cthulhu) e até a Gale Force Nine, responsável pela adaptação de Pathfinder, Starfinder, Doctor Who, Alien e Dune para jogos de tabuleiro.

No meio tempo a Free League, editora de The One Ring (publicado no Brasil pela Devir) e Tales from the Loop (Galápagos), também anunciou que substituirá suas mecânicas de jogos pelas mecânicas próprias, livrando-se da OGL, além de também estar desenvolvendo uma espécie de licença própria.

E Agora?

Gostaria de saber a resposta…

Um posicionamento da Wizards, embora extremamente importante, ao meu ver, foi demorada demais, o que pode levas à ideia de que ela achava que tinha uma base indestrutível e insubstituível de clientes, o que se provou não ser tão sólido assim.

Nunca ouvi tanta gente desenterrando velhos manuais de AD&D ou D&D 2a edição no twitter, caminhando para outros sistemas ou simplesmente olhando para o lado e abrindo a porta para testar coisas novas.

Se a OGL ou a ORC será o padrão no futuro, ainda teremos que esperar, mas o que já sabemos é que esta história ainda não está tão perto de acabar.

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