Para aqueles não familiarizados com o BoardGameArena, ele é, acredito, o maior portal de implementações virtuais de jogos de tabuleiros com script do mundo, contando com centenas de jogos prontos para serem jogados por qualquer um.
O site foi fundado em 2010 por Grégory Isabelli e Emmanuel Colin, pensado como forma de jogar online utilizando pouca banda e com todas (ou a maioria) as tarefas burocráticas dos jogos implementadas no código, de modo a deixar o jogo fluido e rápido, seguindo uma filosofia Freemium, na qual qualquer pessoa pode criar uma conta gratuita com acesso a centenas de jogos, porém com a opção de uma assinatura mensal que dá direito a uma série de customizações e jogos “premium” que, embora possam ser jogados a convite, ficam completamente liberados ao se possuir uma assinatura.
O site cresceu assustadoramente durante a pandemia, por motivos óbvios e, em 2021, foi comprado pelo Grupo Asmodee. Desde então, ambos os fundadores da plataforma deixaram a companhia (veja aqui) porém a aquisição não se mostrou um movimento para tolher novos desenvolvimentos, mantendo a filosofia inicial Freemium e ainda contando com desenvolvedores voluntários.
E seguindo este trabalho voluntário, um brasileiro tem trabalhado na implementação de jogos de editoras nacionais na plataforma. André, que é desenvolvedor de software a 9 anos, tem desenvolvido em seu tempo livre, como hobby, jogos nacionais para a plataforma.
A ideia dele surgiu porque, embora ele e a namorada joguem diariamente na plataforma, pouquíssimos jogos nacionais apareciam na mesma, levando-o a se motivar para trazer mais jogos nacionais para a plataforma.
Infelizmente, a boa vontade não torna o trabalho fácil:
Embora qualquer um possa programar lá, com linguagens web bem comuns como PHP e Javascript, as documentações do sistema são bem precárias e existem poucas definições. Muita gente acaba começando a desenvolver e desiste no meio do caminho por causa disto.
Junto a isto, ainda temos a filosofia de deixar a plataforma leve, o que acaba deixando muitos recursos do mundo moderno de desenvolvimento de fora da plataforma e torna tudo muito manual. Coisas simples acabam dando muito trabalho para serem feitas.
A plataforma, agora nas mãos da Asmodee, embora tenha feito alguns avanços, o faz de modo lento, principalmente para manter a retrocompatibilidade com as centenas de desenvolvimentos já realizados para ela.
Já o processo para a criação de um jogo é bem simples: já existe uma série enorme de licenças disponíveis para desenvolvimento e, se qualquer um tiver interesse, basta entrar em contato que a plataforma intermedia o processo de aquisição das artes. E mesmo que o jogo não esteja na lista de licenças disponíveis, o próprio BGA lhe ajuda a encontrar um contato na editora. Depois disto vem o trabalho braçal de desenvolver o jogo.
Atualmente, André está com dois projetos em andamento, Quartz Dados (Sérgio Halaban pela Grok) e Piratas (Renato Simões pela Geeks & Orcs), porém ele já está conversando sobre uma implementação também de Àiyé (André Teruya e Igor Knop pela Grok), mas ele não pensa em parar por aí. Embora seja um projeto feito somente nas horas vagas, já existem mais outros jogos que se encontram no radar dele.
E para quem quer começar a se aventurar neste tipo de trabalho, ele recomenda dar uma olhada no GitHub, onde existem diversos projetos com código aberto para serem estudados antes de começar a bater cabeça na plataforma.