A Estrela, juntamente com outras 7 companhias que fazem parte de seu grupo econômico, informou a CVM através de um comunicado oficial que você pode ler aqui, que entrou com um pedido de recuperação judicial na Comarca de Três Pontas (MG).
A decisão, segundo o comunicado, decorre de uma necessidade de reestruturação do grupo em um contexto de aumento do custo de capital e restrições de crédito, mudanças no comportamento de consumo, incluindo mais competidores e alternativas digitais e impactos acumulados ao longo dos últimos anos, afetando a estrutura financeira do grupo.
Ao final da nota, Carlos Antonio Tilkian, diretor de relações com investidores, pontua:
A Companhia reafirma sua confiança na continuidade regular de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação.
A Estrela vem acumulando resultados negativos nos últimos anos, com o último balando referente ao primeiro semestre de 2025 mostrando uma prejuízo líquido de R$38.7Mi, similar ao prejuízo líquido de 2024 inteiro, que tinha sido de R$37.1Mi, o que, somado a uma dívida total da ordem de R$100Mi, motivou a diretoria a tomar a decisão de uma recuperação judicial.
A Estrela já foi a maior fabricante de brinquedos do Brasil, publicando muitos jogos na década de 70/80, incluindo diversos clássicos como Banco Imobiliário e Detetive, porém tinha se mantido afastada de novos jogos de tabuleiro até 2021, quando começou a publicar jogos de tabuleiro modernos, de autoria nacional, como Rasher, Herdeiros do Khan, Mixtapes, O Grande Colecionador de Brinquedos e Bravo!
A empresa também tem mantido um histórico de embates legais. O primeiro é contra a Hasbro, para manter os nomes e direito de venda de Banco Imobiliário e Detetive, o qual teve um veredito em 2022 permitindo que a Estrela mantivesse os jogos clássicos à venda no Brasil e forma concomitante com os “mesmos” jogos da Hasbro mediante pagamento de uma multa para esta última. Este processo, atualmente, encontra-se com pedidos de recursos no STJ (processo 0107428-23.2009.8.26.0100)
O mais recente é contra a Galápagos, atualmente Asmodee Brasil, alegando que esta última não poderia vender um jogo chamado Detective, um nome muito parecido com Detetive, o que poderia causar confusão entre os compradores (veja aqui). Este processo teve seu veredito a favor da Estrela publicado em final de 2024 e atualmente apelações também se encontram em andamento no STJ (processo 1058388-98.2022.8.26.0100).
Sobre a recuperação judicial, resta agora juiz responsável autorizar ou não o início do procedimento. Caso o processo seja autorizado, as cobranças e execuções judiciais serão suspensas por 180 dias, e um administrador judicial será nomeado, iniciando um prazo de 60 dias para a apresentação de um plano de recuperação da empresa.
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