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CMON Adquire Participação em Empresa de Jogos Digitais

CMON anunciou dia 23 de abril, em comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a aquisição de 2,2% da Blissful Link Investments Limited, uma desenvolvedora de videogames especializada em tecnologia Web3, pelo valor de HK$16,5 milhões (aproximadamente R$ 10,7 milhões ou US$2,1 milhões em conversão direta) o que, na minha opinião, é no mínimo um movimento arriscado (veja o comunicado na íntegra aqui).

A Blissful Link é uma empresa engajada em desenvolvimento de vídeo games e seu último projeto foi Capverse, um jogo Web3 do tipo “play-to-earn” que utiliza tecnologia blockchain. Embora a fatia adquirida pareça pequena, o objetivo da CMON é claro: adquirir o know-how necessário para levar seus jogos físicos para o mundo digital.

No relatório, a diretoria da CMON justifica o investimento como parte de uma estratégia de “transição digital”. A empresa acredita que, para se manter relevante, precisa expandir suas fontes de receita para além dos componentes físicos, explorando aplicativos que gerenciam regras e modos multiplayer online.

O ponto que mais deve chamar a atenção dos jogadores é a menção direta a títulos que ainda estão com a empresa, pois são citados Massive Darkness e Super Fantasy Brawl Reborn como IPs com prioridade para serem transformados em ativos digitais de alta qualidade.

A transição digital traria os benefícios de efeitos visuais aprimorados, aplicativos que gerenciam pontuação, tempo etc., permitiria um número diversificado de jogadores e seria mais acessível para jogadores que não estão na mesma região. Além disso, a participação em projetos Web3 frequentemente enfatiza a responsabilidade social e práticas éticas, como transparência e imparcialidade na tomada de decisões. Ao participar de projetos Web3, a empresa pode demonstrar seu compromisso com a responsabilidade social e a sustentabilidade.

[…]

O Conselho acredita que a integração das propriedades intelectuais proprietárias do Grupo com tecnologias digitais e Web3 aumentará o valor comercial a longo prazo do portfólio do Grupo.

Apesar deste investimento no digital, a CMON ainda deixou claro que os jogos físicos continuarão sendo uma parte essencial do negócio, servindo como uma “pausa nas telas” e promovendo a interação social face a face, que é o DNA dos jogos de tabuleiro.

Curiosamente, porém, o comunicado também mostra os balanços simplificados da Blissful para 2023 e 2024, com perdas anuais entre US$ 300.000. e 800.000 e débitos de até US$ 400.000. Em outras palavas. este investimento está caminhando para uma empresa com prejuízos e débitos, o que, a menos que dados de 2025 mostrem o contrário, aumentaria ainda mais o prejuízo da empresa que, em 2025, chegou a US$19 milhões (veja aqui).

Somado a este prejuízo, ainda existe o risco de investimento em NFTs e blockchain, uma bolha no pós pandemia que já estourou a alguns anos e que, para muitos especialistas, pode até mesmo se aproximar de um esquema de pirâmide, pois somente os primeiros entrantes realmente ganham algo se saírem cedo, enquanto os demais entrantes tem que contar com um fluxo de entrada de novos participantes, sem contar o consumo de energia utilizado para a geração da criptografia necessária.

A CMON já foi uma das maiores empresas a apostarem em financiamentos coletivos, com diversas campanhas milionárias de sucesso, porém a alguns anos seus problemas financeiros vieram à tona. Ela teve de fechar escritórios de desenvolvimento (veja aqui), lançar ações no mercado (veja aqui) e até vender diversos IPs de sucesso, como Zombicide (veja aqui) ou marcas que havia anteriormente adquirido (veja aqui). Seu último balanço financeiro gera dúvidas sobre a real possibilidade da empresa continuar a funcionar.


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