Este ano o Diversão Offline, tradicional e maior evento de jogos de tabuleiro brasileiro, chegou em 2025 à sua edição de 10 anos em novo local e com diversas novidades, ampliação do espaço e dos dias de evento e novamente convidados internacionais.
A edição, que ocorreu nos dias 20 e 22 de junho, teve uma alteração de local, saindo do Pro-Magno para o Expo Center Norte, que conta com um espaço bem mais amplo e com uma grande possibilidade de crescimento, coisa que vem acontecendo ano a ano. A mudança foi muito bem vinda, pois o evento contou com corredores amplos, facilitando em muito a circulação, especialmente de cadeirantes e carrinhos de bebê, passando uma impressão ampla mesmo com um público possivelmente maior do que no ano anterior (embora os números oficiais ainda não tenham sido divulgados, a depender das vendas, o evento foi o mais frequentado).
A imensa maioria das editoras aproveitou o novo espaço para ampliar seus stands. A Meeple BR e a Ludens Spirit por exemplo, estavam com “quadras” completas e a Grok chegou a ter uma rua passando no meio do stand. Diversas pequenas editoras se aventuraram pela primeira vez com locais próprios, como a Calango, que ano passado estava nos quiosques da área indie ou a Cooperfun, que nem presente oficialmente estava na edição anterior do evento, ou dividiram espaços, como o caso da Moedas & Co. e da Gorilla3d. Em contrapartida, algumas editoras acabaram diminuindo seu espaço, como a PaperGames, que optou, devido a não ter nenhum lançamento oficial para o evento, em manter apenas um posto de vendas que ficou cheio durante quase todo o tempo.
A Galápagos também surpreendeu, aparentando uma diminuição de tamanho em relação ao ano anterior (embora eu possa estar enganado), optando por diversas ativações e brincadeiras diferentes, um ponto de vendas e menos mesas para jogar, a maioria focada em seus TCGs, ajustando o foco da empresa neste tipo de jogo que gera uma receita grande para o grupo.
Duas editoras, porém, chamaram atenção pela não participação: TGM e Vem pra Mesa. Em contato com a TGM, o motivo foi uma reestruturação interna pela qual a empresa está passando. Já a Vem pra Mesa provavelmente não teve participação pela falta de novos lançamentos da empresa.
Mas nem tudo foi para melhor e o ponto negativo do novo espaço é o estacionamento aberto. Durante o final de semana reinou um clima ótimo, mas se a chuva tivesse caído, isto seria um grande problema para os visitantes que fossem de carro.
O evento, como comentado acima, contou com um dia adicional na sexta-feira, voltado para a visitação de escolas públicas, imprensa e geradores de conteúdo, o qual se provou excepcionalmente positivo para os geradores de conteúdo, que puderam criar em um ambiente mais vazio e trabalhar com mais tranquilidade, porém, de acordo com diversas editoras, a experiência não foi boa, revertendo-se em prejuízo.
O problema decorreu do fato de quase nenhuma escola ter aderido e grande parte do dia ter permanecido, na prática, vazio. De acordo com a organização do evento, o problema ocorreu devido à prefeitura não ter disponibilizado o pagamento para o envio dos ônibus às escolas, o que acabou sendo descoberto apenas no dia do evento. As editoras, em contrapartida, reclamaram que a organização demorou muito até informar do ocorrido e que elas tiveram que arcar com os custos de explicadores que acabaram ficando parados sem muito o que fazer quando, se o problema tivesse sido comunicado antes, elas poderiam ter chamado os geradores de conteúdo para entrarem mais cedo no evento e não ter o dia tão perdido.
Independente da falha, o dia adicional parece fazer parte dos planos da organização para o próximo ano, que provavelmente também deverá manter o evento no Expo Center Norte.
Entre as atrações do evento tivemos anúncios de dois convidados internacionais do mundo dos jogos de tabuleiro (fora os de RPG): Friedemann Friese (2F-Spiele) e Vlaada Chvátil (CGE). Mas no fim das contas, apenas um estava realmente presente, Friedemann Friese. Vlaada teve um problema de saúde no início da semana e infelizmente teve de cancelar sua vinda, que serviria para ajudar na promoção dos jogos da CGE e do lançamento da versão mobile de Codinomes.
A falta dele, embora triste, não acabou sendo um grande problema, e a visita de Friedemann Frise se provou muito apreciada, já que ele passeou muito pelos corredores e estava dando muita atenção a todos que paravam para falar com ele. Além disto ele ainda jogou diversos de seus próprios jogos e concedeu algumas entrevistas.
Um ponto alto, na minha opinião, Foi o escape room de Catan, idealizado pela Cativeiro, em parceria com a Devir, como parte das celebrações de 30 anos do jogo de Klaus Teuber. Pela proposta e tempo, a ideia foi excepcional. O desafio foi muito bem bolado, porém não foi isento de problemas: a entrada dos grupos foi marcada por atrasos de até uma hora, principalmente devido à dificuldade de solucionar os desafios dentro dos 15min propostos, o que fez com que alguns grupos que deveriam entrar muito próximos ao final do evento eventualmente não pudessem participar.
E falando em atrasos, o início do sábado também teve algumas dificuldades na entrada dos visitantes, gerando filas para a entrada que chegaram a demorar, segundo alguns visitantes, até 2 horas. Isto se deveu, segundo a organização do evento, a um acúmulo dos visitantes que não tinha acontecido em edições anteriores, somado ao tempo de cadastro na entrada e a visitantes que, mesmo com cadastro prévio, não trouxeram a entrada e tiveram que passar novamente pelo processo de cadastramento. De acordo com a organização, foi um ponto realmente fraco do evento e alternativas já estão sendo estudadas para melhorar e agilizar a entrada em edições futuras. Como alternativa para os que passaram muito tempo na fila, o horário de abertura de sábado foi estendido e o de entrada no domingo foi antecipado, porém, embora a intenção tenha sido boa, isto gerou sentimentos conflitantes perante os expositores. De acordo com vários deles, o aviso da ampliação do horário foi pouco divulgado entre os visitantes e muitos acabaram indo embora após as 19:00, esvaziando a feira. Além disto, muitas empresas não conseguiram manter o staff após o expediente inicial, fazendo com que estandes como o da Galápagos parecesse quase fechado no horário expandido. Da mesma forma, na manhã seguinte, a abertura antecipada fez com que diversos visitantes entrassem no evento com muitos stands cobertos e completamente fechados.
No fim das contas, somando erros e acertos, o evento foi realmente o maior DOFF de todos os tempos, mostrando o quando o hobby vem continuamente crescendo e se consolidando no Brasil e apontando para um futuro ainda maior. Os problemas que ocorreram são de conhecimento da organização que já está planejando melhorias para o ano que vem, como foi o caso dos crachás na edição 2024, que tinham uma qualidade baixa e acabavam rasgando facilmente e, neste evento, foram alterados para um material muito mais resistente e que provou-se muito mais eficaz
Que venham mais 10 anos!